
Entrevista - Drowned

Por João Messias THE ROCKER
Com quase 20 anos de estrada e uma carreira com muitos álbuns e shows no Brasil e exterior, o quinteto formado por Fernando Lima (Vocal), Marcos Amorim e Kerley Ribeiro (Guitarras), Rafael Porto (Baixo) e Beto Loureiro (Bateria) surpreendeu os fãs ao lançar não apenas um, mas dois CD’s de músicas inéditas, ambos com o nome Belligerent.
Lançando uma parte no formato virtual e outra física, os trabalhos mostram a banda na sua melhor forma, podendo ser considerados os melhores álbuns lançados pelo quinteto, mostrando um maior aprimoramento técnico e muita, mas muita brutalidade!
Nesta exclusiva para a Die Fight, o guitarrista Marcos Amorim e o baterista Beto Loureiro nos contam dos novos trabalhos.
THE ROCKER: Vocês surpreenderam muitas pessoas ao não lançarem um novo álbum, e sim dois trabalhos quase que simultaneamente. O que os levaram a lançar dois trabalhos?
Marcos Amorim: Na verdade, a gente havia começado a trabalhar o disco novo em 2007. Começamos a fazer muita coisa, mas sem rumo. De lá para cá, compusemos cerca de 40 músicas. Quando já estávamos gostando do material composto, começamos a perceber que não só a demora por lançar um disco tinha sido benéfica, como também o material quase todo era muito bom e daria para ser lançado todo, se quiséssemos. Nesse momento começamos a pensar em fazer um lançamento duplo, que acabou ocorrendo.
THE ROCKER: Uma das partes de Belligerent foi lançada em formato físico e a outra disponibilizada no site da banda de forma gratuita. Queria saber o porquê lançarem desta forma e se chegaram a pensar em lançar os álbuns juntos?
Marcos: Pensamos em fazer um disco só com tudo, mas o tempo era grande para um CD físico e talvez fosse ficar cansativo de se ouvir numa única tacada.
Daí pensamos em fazer um disco duplo e lançar físico. Só que isso iria envolver muitos custos e talvez o CD fosse ficar caro para o fã, então pensamos: Por que não lançar uma parte física e o restante virtual? Quem quiser, baixa e completa a coleção.
Assim fizemos. Contudo já há propostas para lançamento do virtual também em formato de CD, porque o fã que é fã gosta de ter o material, ler encarte etc.
THE ROCKER: Apesar de sempre lançarem álbuns com freqüência, e terem lançado um split no exterior, desde Bio Violence (2006) não era lançado um álbum “full” de vocês no Brasil, e lhes digo que essa “pausa” foi benéfica, pois as duas partes de Belligerent mostram o melhor trabalho de vocês em todos os aspectos, a parte técnica, a gravação, as performances. Houve alguma preocupação especial ao conceber esses dois trabalhos?
Marcos: Sim! Gostaríamos de nos superar e o tempo que gastamos para fazer o material é um reflexo disso. Poderíamos lançar algo apenas por lançar um disco novo, se quiséssemos, afinal temos estúdio, temos a facilidade que muitas bandas não têm, mas isso não era importante no momento para a carreira da banda.
Precisávamos fazer um trabalho digno de uma banda que já está há um bom tempo batendo cabeça e quebrando ossos(risos)!
THE ROCKER: A bateria de Beto Loureiro se mostra bem diferente em Belligerent, com maior variedade e muita agressividade, como podemos ouvir em Corrupted Side By Side e The War Remains The Same. E eu pergunto ao baterista: O que você andou ouvindo?
Beto Loureiro: O lance é que esse CD é mais agressivo, então o jeito foi fazer o troço ficar porrada mesmo. As bandas que eu escuto são as mesmas de sempre, Dismember, Amon Amarth, dentre outras e, é claro, o Slayer porque o Dave Lombardo sempre foi uma grande influência!
THE ROCKER: E vocês continuaram lançaram os trabalhos com a letra “B”. Com o passar dos álbuns vai ficando mais difícil lançar álbuns com ela?
Marcos: Na verdade, ainda não bateu uma dificuldade, porém não começamos a trabalhar um tema novo, talvez essa falta de idéia sobrevenha agora. Tomara que não, porque é uma tradição nossa, não podemos quebrar!

THE ROCKER: Outros grandes momentos são a instrumental Blood Trail e o encerramento com The King Can Do Wrong, que fazem uma conexão com a fase do debut Bonegrinder. Isso foi espontâneo ou foi uma forma de homenagear o primeiro CD?
Marcos: Quanto á Blood Trail, sim, realmente é algo que queríamos fazer há algum tempo, uma remissão ao nosso passado, porém atual e somente se ficasse bom. Felizmente ficou. No caso da The King Can Do No Wrong, é uma faixa mais longa, com mais variações e eu acredito que quando compusemos o Bonegrinder, somente fizemos isso numa faixa chamada “Praying For The One Who’s Left”. Não foi intencional, nesse caso, é apenas uma linha evolutiva da banda.
THE ROCKER: E com uma carreira constante tem seus prêmios, pois hoje vocês podem ser considerados hoje o maior nome do Metal de Minas Gerais e da gravadora Cogumelo. Olhando para trás, vocês imaginavam estar com este patamar?
Marcos: Sempre trabalhamos para ter um bom nome, sempre cuidamos da nossa carreira para que um dia ela ficasse num nível de respeitabilidade e de confiabilidade no nosso trabalho.
Trabalhamos com um selo que é estável, temos um excelente relacionamento com eles e acho que tudo isso junto propiciou estarmos num bom nível. Não ficamos muito encanados com o lance de ser grande ou pequeno, só nos preocupamos em fazer o melhor de nós.
THE ROCKER: Ainda falando na Cogumelo, vocês sempre lançaram seus álbuns no Brasil por ela. O que os fazem seguir com a parceria e já houve sondagem de outros selos para lançarem seus CD’S?
Marcos: Antes da derrocada da maioria das gravadoras, tivemos muita coisa no ar, porém com o tempo, com a evolução da Internet, pouco hoje há para ser oferecido para as bandas em termos de gravadoras. Estamos trabalhando com a Cogumelo no Brasil, com a Grayhaze nos EUA e com a Metal Soldiers na Europa.
Em todos esses casos, as relações são muito mais em virtude da seriedade dos nossos trabalhos do que por qualquer outra coisa. Obviamente que um histórico tem o seu preço, mas eu imagino que as parcerias que fizemos ao longo da carreira são hoje, sobretudo de amizade e companheirismo.
THE ROCKER: Visto que fizeram uma tour na Europa há alguns anos, quais os planos da banda neste aspecto?
Marcos: Belligerent Part I deve sair físico na Europa, via Metal Soldiers. Pretendemos excurcionar por lá até 2013, porém não sei bem como será, porque as negociações estão ainda começando. Acho que seria uma boa oportunidade para que façamos o Drowned ir um pouco mais longe por lá, agora com uma estrutura melhor.
THE ROCKER: Para encerrar, no final de abril vocês estarão tocando no Metal Open Air, em São Luis, no Maranhão, que contará com grandes nomes do Metal Mundial como Anvil, Megadeth, Fear Factory, Headhunter DC, entre outros. Quais as expectativas da banda a este evento e o que acham da iniciativa de levarem os grandes festivais para longe dos grandes centros?
Marcos: Temos uma expectativa boa, por ora. Esperamos que realmente um festival desse nível saibam valorizar as bandas nacionais e que a força do Metal feito no Brasil, por diversas bandas de alta respeitabilidade que constam do seu cast, seja mais uma vez mostrada.Esperamos que, enfim, haja uma organização que preze pelos valores da nossa terra e que faça uma verdadeira celebração da música pesada. Quanto ao local, entendo que o Brasil é forte em Metal em diversas regiões.
Temos sempre boa resposta do público, sobretudo em regiões onde é menos frequente os shows. Então entendo que São Luís é um lugar oportuno e que pode fazer um festival muito interessante, sim.
THE ROCKER: Obrigado pela entrevista! O espaço é de vocês!
Marcos: Valeu por tudo. Obrigado por todos aqueles que leram essa entrevista, continuem apoiando as bandas brasileiras, elas têm valor. Vão aos shows e, caso tenha gostado, adquira o material da sua banda favorita, pois hoje, ninguém vive de música, mas qualquer força é bem-vinda, principalmente para manter o Metal vivo!
Contato: www.drowned.com.br
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