
Entrevista - Kappa Crucis
Celebração Classic Rock
(Por Tom Santos)
É grande o número de músicos, jornalistas e fãs que consideram a década de 70 como a mais importante de toda a história do rock. Afinal, foi em solo setentista que as sementes plantadas pelos Beatles germinaram em profusão. Nessa época nasceram e se desenvolveram a maior parte das bandas clássicas que fundaram todos os principais segmentos dentro do rock: progressivo, heavy metal, southern, hard.
Embora a banda paulista KAPPA CRUCIS tenha sido formada no início da década de 90, todos seus músicos são nascidos nos anos 70 e é de lá que trazem toda referencia para o som que fazem. São verdadeiros ‘dinossauros modernos’ celebrando a época de ouro do rock.
Estabelecida na cidade de Apiaí, em meio às montanhas sulistas do estado de São Paulo, o KAPPA CRUCIS combina elementos do hard rock, rock progressivo e southern rock. O resultado é um som pesado, porém atmosférico, sempre guiado pelos riffs de guitarra.
A proposta musical da banda está presente em “Jewel Box”, o debute lançado em 2009 e que foi aclamado por toda imprensa especializada.
No momento em que gravam seu segundo álbum, nós da Die Fight fomos conversar com G. Fischer (vocal e guitarra) e F. Dória (bateria) para saber o que eles vêm preparando e tudo que aconteceu com o grupo em sua trajetória até aqui!
Conte-nos um pouco sobre o início da banda. Quando e como ela foi formada?
G.Fischer: O embrião da banda foi formado nos anos 90. Inicialmente éramos uma banda que tocava covers de varias bandas, especialmente bandas de rock pesado dos anos 70, até que chegou o momento em que ficamos de saco cheio de tocar músicas dos outros e decidimos criar nosso próprio som e identidade.
F.Dória: Nessa fase embrionária, embora houvesse uma identidade voltada ao heavy rock, ainda não tínhamos uma formação que permitisse trabalhar com o som autoral. Mas isso durou muito pouco. Com alguns ajustes na formação, logo começamos a compor e lançar demos.
No momento vocês estão em estúdio gravando o segundo álbum. O que poderiam nos adiantar sobre esse novo trabalho?
G.Fischer: O novo álbum vai ter o som característico da banda, porém vai mais direto ao ponto. É mais espontâneo e amadurecido.
F.Dória: Creio que estamos usando aprendizados do primeiro álbum em favor do segundo. O material soa bem o que a banda é hoje. E, sem dúvida, sua criação e seu desenvolvimento tem sido espontâneos.
Geralmente é com o segundo álbum que uma banda define sua sonoridade. Mas o Kappa Crucis já apresentou bastante personalidade logo com o debute "Jewel Box" de 2009. O tempo de estrada e as quatro demos anteriores foram fundamentais para isso?
G.Fischer: Acho que sim, pois as demos funcionaram como uma preparação para o disco, e aliadas com o tempo de estrada e conhecimento, pudemos definir bem o que queríamos.
F.Dória: O tempo de estrada nos proporcionou a possibilidade de trabalharmos nos detalhes do que queríamos, mas tudo de uma forma natural.
Alias, como vocês comparariam o trabalho que a banda fez na primeira demo "Algol - The Demon Star" de 1997 com o que é feito hoje, incluindo o que a banda prepara para o segundo disco?
F.Dória: O trabalho de Agol marcou o momento em que demos nossa cara para bater. Algo como: “Ei, aqui estamos nós”. Mas também representa o início como trabalho. De lá para cá houve um aprimoramento, aproveitando melhor o que cada um tem a oferecer. Hoje o trabalho é melhor direcionado, sabemos o que queremos.
G.Fischer: Algol The Demon Star é muito importante para nós pois foi o início, as primeiras composições e tal, mas foi outra época, outra formação. Comparando com o tempo atual, penso que evoluímos, mas a essência e o feeling que formam o som da banda, permanecem o mesmo.
Vocês já revelaram o nome de algumas músicas que estarão no novo álbum. Os títulos são bastante interessantes - "Invisible Man", "Flags And Lies", "Strange Soul", "Mecathronic", "What Comes Down" e "Nobody Knows". Gostaríamos que comentassem mais sobre o conteúdo das letras desse novo trabalho.
G.Fischer: As letras das músicas são bastante distintas uma das outras. São variados temas como, por exemplo, a relação do homem com a máquina, falsas uniões, os diversos pontos de vista das pessoas sobre o certo e o errado, a infinidade de informações que recebemos no dia a dia, etc. Enfim, são vários assuntos que buscamos abordar, mas fica difícil explicar detalhadamente em poucas palavras.
F.Dória: Algumas letras também retratam um pouco de como nos sentimos em meio a vida contemporânea, a falsidade, a ganância, etc. São temas existenciais, creio. Mas vamos deixar os leitores e ouvintes viajar um pouco.
A capa de "Jewel Box" é bastante interessante e fez referência a todas as demos anteriores da banda. A capa do novo álbum também terá esse elemento "retrospectivo" ou vocês ainda nem pensaram sobre o assunto?
F.Dória: A capa de Jewel Box teve um sentido. Para o próximo, buscaremos uma conexão também, seja com o momento, seja com nossa história, ou nossas letras.
G.Fischer: Existem apenas algumas idéias por enquanto.
O novo trabalho está sendo produzido no Estúdio Ger Som em Itapeva/SP, mesmo local onde gravaram "Jewel Box". Em tempos onde a maioria dos grupos gravam seus discos em seus próprios home-studios, quais as vantagens de registrar um trabalho num estúdio convencional? Ainda é compensatório?
F.Dória: Depende sob que aspecto. Home Studios podem economizar financeiramente. Mas não somos técnicos em estúdio e lá há alguém que é. E nos sentimos satisfeitos em trabalhar a moda antiga, inclusive valorizando o esforço de quem montou o estúdio.
G.Fischer: Podemos nos concentrar somente com a música em si, sem nos preocupar em operar os botões. Sem contar que nenhum de nós da banda possui home-studio.
O Heavy Rock do Kappa Crucis traz referencias muito sadias com outras sonoridades como o southern rock e mesmo o rock progressivo tradicional que acabam trazendo mais profundidade e até mesmo complexidade para o som da banda. Como é se dedicar a fazer um som bem trabalhado em tempos onde outros grupos e até mesmo o público tem uma predominância pelo que é de fácil digestão e assimilação?
F.Dória: Bem, fazemos o que gostamos em primeiro lugar. De certa forma, queremos tocar e escutar algo que gostaríamos de ouvir. Somos da escola clássica, onde o som é atemporal. A fácil digestão e assimilação muitas vezes está ligada em momentos passageiros da vida, da mídia e da moda, sem significar algo realmente importante para alguém.
G.Fischer: O importante para nós sempre foi tocar aquilo que nos satisfaz. Tudo tem sido feito com naturalidade, sem forçar a barra. Não nos preocupamos se as pessoas vão gostar ou não. Queremos ser autênticos, e imagino que isso pode nos proporcionar um público mais selecionado, que realmente é fã da banda.
Aliás, o Kappa Crucis é uma banda com bastante tempo de estrada. Foi ou tem sido difícil pra vocês se adaptarem às novas tendências do cenário musical e toda sua relação com a tecnologia?
F.Dória: Não há dificuldade nenhuma, pois não há preocupação com isso. Como disse, fazemos o que gostamos.
G.Fischer: Não nos preocupamos com tendências do cenário musical. Com relação a tecnologia, buscamos nos manter informados na medida do possível. Somos roqueiros à moda antiga.
E o fator distância? Vocês vivem em meio às montanhas sulistas do estado de São Paulo na longínqua Apiaí. É difícil estar longe de grandes capitais?
F.Dória: O maior problema da distância são as viagens em si, que acabam sendo longas e cansativas muitas vezes. No mais, estar no interior é uma opção de vida. Sabemos os prós e os contras disso no que se refere a fazer parte de uma banda.
G.Fischer: Não dá para saber se caso vivêssemos nas grandes capitais poderíamos ter uma projeção maior. Porém, viver no interior nos fortalece no que diz respeito à integridade e união da banda.
Para finalizar, quais os planos para o futuro?
G.Fischer: Lançar o novo álbum e, principalmente, nos divertir fazendo o que gostamos.
F.Dória: Sim, hoje estamos concentrados no nosso próximo álbum. Depois, vamos divulgá-lo. Queremos fazer shows de divulgação, etc. E continuar com o trabalho de maneira prazerosa e verdadeira.
FORMAÇÃO:
F. Dória (bateria, backing vocal)
G. Fischer (vocal, guitarra)
R. Tramontin (baixo)
A. Stefanovitch (teclados)
DISCOGRAFIA:
Jewel Box (2009)
ENDEREÇOS OFICIAIS NA INTERNET:
www.kappacrucisband.com (Site Oficial)
www.myspace.com/kappacrucis (Myspace)
www.twitter.com/kappacrucisband (Twitter)
www.facebook.com/kappacrucisband (Facebook)
www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=4665482887421439302 (Orkut)
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