
Entrevista - Uganga
CAOS ORGANIZADO

(Por Tom Santos)
Capitaneada pelo vocalista Manu Joker, ex-baterista do Sarcófago, o UGANGA faz parte do rico cenário metal de Minas Gerais e firmou-se como uma das mais importantes bandas de todo país. Há 19 anos na estrada, a banda já gravou três discos de estúdio, participou de importantes festivais por diferentes regiões do Brasil e fez uma bem sucedida turnê pela Europa em 2010 que totalizou 18 shows por sete países diferentes.
O quinteto prepara-se agora para lançar “Eurocaos Ao Vivo”, primeiro trabalho ao vivo da banda gravado durante esse giro pela Europa.
Nesse papo com todos os integrantes da banda, eles nos adiantam detalhes sobre esse próximo trabalho, pontuam fatos importantes da carreira e explicam como a banda evoluiu de um som experimental para o Thrashcore pesado e cheio de atitude que fazem hoje.
Conte-nos um pouco sobre o início da banda. Quando e como ela foi formada?
Manu “Joker” Henriques: Formei o Uganga com mais dois amigos no ano de 1993. No começo era mais um projeto paralelo cantado em português, pois todos tocavam em outras bandas de metal ou hardcore. Com o tempo passou a ser prioridade e desde então estamos na estrada. A sonoridade no início era mais experimental e menos pesada, porém com o tempo fomos rumando pro que fazemos hoje em dia, uma mistura de thrash metal com hardcore e partes groovezadas.
Manu, você veio do Sarcófago, uma lenda do death/black mundial. Como foi sair da banda e montar o Uganga, que faz um som bem diferente? Você estava cansado do som extremo?
Manu: Cara, eu sempre fui muito cabeça aberta em relação a música, pra mim existem só dois tipos de bandas, boas e ruins. Minhas influências vão de Beatles à Bathory numa boa (risos!). Antes de entrar no Sarcófago eu já estava envolvido com a cena extrema, pois vinha tocando no Angel Butcher desde 1986, que foi a primeira banda de crossover de Minas Gerais e, se não me engano, uma das primeiras do Brasil! Depois fui pro Sarcófago onde fiquei até 1991 e de lá pro Odd Mellody, que era um lance mais técnico com influências de Mercyful Fate, mas que durou pouco tempo. Na seqüência formei o Nuts, banda de thrash metal que ficou na ativa uns bons anos e acabou virando o Uganga. Eu curti muito todas as bandas por onde passei, foram fases diferentes da minha vida, mas que somaram e vieram definir minha formação musical. Eu nunca deixei de curtir sons mais extremos, tanto é que o Angel Butcher está ai na ativa até hoje tocando sempre que a agenda do Uganga permite. Olhando pra trás, eu diria que com o Uganga voltei ao ponto de partida que é a fusão de metal e hardcore/punk, porém de uma maneira que seria impossível sem essa trajetória/vivência em outros estilos.
Mesmo no Uganga, percebe-se uma diferença de sonoridade entre os três discos de estúdios já lançados. Como você avaliaria essa evolução sonora da banda desde o debute "Atitude Lotus" até o mais recente "Volume 3: Caos Carma Conceito”?
Manu: O “Atitude Lotus” (2002), apesar de fazer parte de nossa discografia, é uma outra banda, outro som. É o nosso “Cold Lake” (risos) (N.R.: Disco polêmico do Celtic Frost). Como disse, o Uganga era um projeto paralelo onde fazíamos uma música mais experimental, com groove, vocais mais limpos e rapeados e menos influências de metal e hardcore. Algo mais for fun do que qualquer outra coisa. Essa sonoridade com certeza não caberia em nossas bandas principais e daí criamos esse projeto. A partir do segundo CD, “Na Trilha Do Homem De Bem” (2006), quando a banda passou a ser uma prioridade, nós encontramos nosso rumo e a prova disso é o CD mais recente, “Vol. 03: Caos Carma Conceito” (2011). Paramos de misturar tudo e passamos a fazer o que realmente sabemos, porém, como disse, sem esse primeiro CD não soaríamos como soamos hoje e por isso ele está em nossa discografia.
Você diria que com "Volume 3: Caos Carma Conceito" o Uganga encontrou sua identidade definitiva ou podem haver mudanças num próximo trabalho de estúdio?
Manu: Essa com certeza é a identidade da banda, o que mais gostamos de tocar, ouvir e onde iremos seguir. É essa sonoridade que nos une já que os integrantes do Uganga vem de escolas diferentes. Isso, no entanto, não quer dizer que estamos fechados a novos elementos, caso eles venham a somar na nossa música. Só acho que, hoje em dia, novas referências só seriam inseridas dentro do nosso som se não descaracterizassem nossa proposta. Foram precisos alguns anos, várias mudanças de integrantes, três demos e três CDs oficiais para chegarmos onde queríamos. Essa é a identidade da banda!
Marco Henriques: Concordo, sempre estamos ouvindo estilos diferentes que podem acabar nos influenciando de alguma forma na hora de compor. Mas acredito que a base sempre vai estar nessa fusão de thrash com hardcore.
A propósito Manu, você também mudou de instrumento, trocou a bateria pelos vocais. Como se deu essa mudança?
Manu: A transição foi mais tranqüila do que eu imaginava. Desde o início do Uganga eu vinha fazendo alguns vocais mesmo na bateria, e já fazia isso no Angel Butcher antes de formar o Uganga. No meio das gravações do “Atitude Lotus”, alguns integrantes foram sacados da banda e resolvemos que a melhor opção seria que eu assumisse os vocais. Nesse momento já pensei no meu irmão para me substituir e por sorte ele aceitou.
Marco: Foi algo bem inesperado, éramos dois bateristas e eu não via alguma possibilidade de tocarmos juntos. Porém rolaram as mudanças na banda e o deu no que deu. Uma banda com duas duplas de irmãos (N.R.: o guitarrista Christian e o baixista Ras também são irmãos). Eu acompanhava e curtia a banda desde o começo, comecei a ouvir rock por causa do Manu, então não pensei duas vezes em aceitar.
Recentemente vocês lançaram o videoclipe para "Fronteiras da Tolerância" que vem obtendo uma excelente aceitação. Já está inclusive na programação da MTV! Como foi produzir esse vídeo e o que vocês têm achado da repercussão até agora, especialmente por conta desse espaço na MTV?
Ras: A produção do clipe foi de forma totalmente independente e com um orçamento baixíssimo. Filmamos numa casa que passava por uma reforma e tinha várias paredes quebradas que deu um ar de abandono total e com uma iluminação totalmente improvisada com lanternas. Acho que foi um aprendizado legal e de forma divertida. Nós mesmos, junto com o Eddie (diretor), decidíamos onde filmar e nós mesmos montávamos as coisas. O lance de estar rolando na programação da MTV e também de outros programas como o Stay Heavy com certeza deram uma alavancada master na divulgação do clipe e da banda. O vídeo está disponível no Youtube também onde qualquer pessoa pode ver quantas vezes quiser e já teve mais de 2000 acessos. Então acho que a resposta é 100% positiva.
No momento vocês estão finalizando a produção do quarto álbum da banda, "Eurocaos Ao Vivo", gravado ao vivo na Europa em 2010. O que poderiam nos adiantar sobre esse trabalho?
Manu: O carro chefe desse CD é nosso show no Razorblade Festival na Alemanha. Além dessa apresentação completa, e sem maquiagens, o material terá alguns bônus bem interessantes, como uma homenagem a cena mineira dos anos 80 que fizemos em Portugal e uma versão em estúdio para “Não Desista” do Stress, que também sairá num CD tributo aos caras lançado na Europa pela Metal Soldiers Records (Portugal). Finalizando, terá uma faixa multimídia com documentário sobre a tour gringa legendado em inglês e dois clipes, o de “Fronteiras Da Tolerância” e outro que logo divulgaremos. Aqui no Brasil esse trabalho sairá pela Incêndio Discos e por outro selo que ainda estamos fechando. Na Europa sairá novamente pela Metal Soldiers que já havia lançado o “Vol. 3” por lá. Queremos ver se dessa vez também role lançar em vinil!
Thiago Soraggi: Esse novo trabalho é bem especial em todos os sentidos. Além de ser o primeiro “ao vivo” da banda, é o registro do que foi a primeira tour européia. Tivemos toda a preocupação de mostrar fielmente o show, fora isso teremos atrativos agregados ao disco como disse o Manu. Acho isso bem interessante, pois dá uma noção bem maior da nossa proposta. Nesse disco a galera terá a oportunidade de ouvir o show, curtir e dar risadas com o Tour Report no encarte, ver os clipes e ainda desfrutar de algumas surpresas. Enfim, tocar na gringa é foda, gravar e poder mostrar esse material é muito mais! Realmente é um presente, tanto pra nós como para o público do Uganga!
E como foi a experiência dessa primeira tour da banda na Europa? Sabemos de histórias de bandas, inclusive renomadas, que passam bastante aperto em tours como essa. Mas o Uganga, ao contrário, parece ter tido uma estrutura muito boa, certo?
Christian Franco: Acho que o fato de termos tido poucos problemas, digo poucos porque sem problemas não tem como, foi devido ao fato termos passado mais de dois anos no planejamento dessa tour e também à participação do nosso empresário Eliton Tomasi, que saca demais pois já teve por lá e tem a manha total da organização da coisa.
Manu: Tour no exterior é trabalho pesado, sem glamour. Tem que gostar do que faz pra peitar, mas por sorte a nossa foi bem organizada e os resultados foram excelentes! Claro que nem tudo são flores, o cansaço é bruto, alguns shows tem pouco público etc... Mas ai é que se diferencia quem faz por amor a camisa e quem só quer aparecer.
Marco: É doidêra, como o Manu falou, sem glamour nenhum. Mas é uma experiência e tanto. Conhecer outras cidades no Brasil através da banda já é foda, imagina conhecer vários países! Mal posso esperar pela próxima!
A banda já anunciou algumas datas de uma tour pelo Nordeste em Maio. Será a primeira vez do Uganga no Nordeste. O que vocês esperam desses shows?
Ras: Sim! Será nossa primeira passagem pelo nordeste e a expectativa está no nível máximo! Viajaremos com uma banda de grandes amigos que é o Seu Juvenal de Ouro Preto/MG. Lá ainda tocaremos com várias outras bandas locais. Pilha total pra essa tour!
Thiago: Nossa expectativa é semear o Trashcore Mineiro por lá. Pegar estrada é sempre bom, independente do lugar, porém o Nordeste tem vários aditivos, é uma região que não tocamos ainda, que tem um histórico fantástico de receptividade do público de rock pesado, então não vamos medir esforços para fazer extremamente bem nosso trabalho. Será brutal essa tour com certeza!

Após o lançamento do "Eurocaos Ao Vivo" creio que vocês devam lançar mais um trabalho de estúdio, certo? Já há alguma informação que vocês possam revelar sobre esse que será o quinto trabalho da banda?
Manu: Já temos alguns esboços de músicas e deveremos focar na composição a partir de Abril quando estaremos com o CD ao vivo 100% finalizado. O título também já está definido e logo divulgaremos. Vamos gravar no Rock Lab em Goiânia com Gustavo Vasquez e Luís Maldonalle, provavelmente em janeiro de 2013, e pretendemos masterizar novamente com Harris Johns na Alemanha, já que ficamos muito satisfeitos com o resultado do “Vol. 03” que foi masterizado por ele. Nosso quinto CD deve ser lançado em meados de 2013, ano que o Uganga irá comemorar 20 anos de estrada.
Christian: O “Vol.3...” foi o disco da consolidação de um caminho musical onde finalmente conseguimos um resultado que mostra realmente nossa cara. O próximo acredito que vem mostrar a nossa maturidade tanto musical quanto pessoal.
Para finalizar, quais os planos para o futuro?
Manu: Lançar o CD ao vivo, voltar à Europa em 2013 para promovê-lo, rodar o Brasil e se possível ir ao Chile onde temos bons contatos. Fora isso é finalizar o próximo CD de inéditas e seguir firmes na nossa trilha. Uganga não para!
Mais informações:
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