
Entrevista - Plexus

Por João Messias THE ROCKER
Hoje em dia estamos acostumados a ouvir discos que fundem diversos estilos musicais e possuem um excelente trabalho em timbres e sonoridades. Mas você chegou a pensar que no Brasil havia uma banda que já fazia essas fusões com muito peso, qualidade e personalidade?
Pois é, a banda baiana Plexus, com o seu debut lançado há quase uma década apostava nesta fusão de estilos, onde além das texturas diferenciadas, chamava a atenção as linhas vocais de Marcelo Martins (também responsável pelas guitarras), pois essas são realmente cantadas, e dessa forma faz com que o debut seja agradável de se ouvir!
O trio completado por Ricardo Sobrinho (baixo) e Iassa (bateria) lançou o seu segundo trabalho, chamado Lifecycles apenas no formato digital e neste disco temos a consolidação de sua proposta, com algumas passagens mais criativas (e porque não inusitadas) e muito peso, devido a afinação dos instrumentos.
E só por isso os caras mereciam uma entrevista!
Nesse papo exclusivo para a Die Fight, a banda nos fala de seu atual momento, a gravação dos discos, sobre algumas bandas de seu estado e muito mais!
João Messias THE ROCKER: No início da banda, ela tinha uma sonoridade mais voltada para o Metal Tradicional, mas com algumas mudanças na formação, o som de vocês ficou mais moderno e pesado. Foram as mudanças que ajudaram no desenvolvimento da sonoridade?
Marcelo Martins: A música muda porque as pessoas mudam também. Com o tempo, a gente vai absorvendo mais influências e isso naturalmente se reflete nas composições. O nosso objetivo sempre foi criar nossa própria identidade. Sempre nos preocupamos muito com isso, desde o começo. Obviamente, quando formamos a banda eu era muito jovem e inexperiente como compositor, por isso não sabia exatamente o que fazer para atingir a originalidade que queria ter na banda. Mas acho um processo muito natural de maturidade como músico, compositor e também do nosso entrosamento como banda.
Ricardo Sobrinho: Quando nos tornamos um trio, percebemos que essa era a formação do Plexus de verdade, ficou mais fácil e mais empolgante de trabalhar. Objetivos comuns, mesmo nível de dedicação e disciplina nos ensaios, além da vontade de fazer experimentos em termos de afinação foi essencial para alcançarmos esse tipo de som.
Iassa – Conseguimos uma unidade que não tínhamos antes e desta forma focar no que queríamos foi mais fácil e natural, as decisões ficaram mais rápidas.
THE ROCKER: E ouvindo os trabalhos de vocês é muito interessante perceber as texturas das canções, sempre com muitos detalhes e variações, e com apenas três pessoas. Hoje é normal as bandas usarem este tipo de abordagem, mas como era em plenos 2002/2003 fazerem o que o pessoal chamaria tempos depois de Prog Metal?
MM: Muitas das texturas e variações surgem porque a gente tem ideias que funcionam bem para a música, mas não são necessariamente feitas por baixo, guitarra e bateria. No Lifecycles, a gente usou instrumentos de orquestra, mas com nosso estilo. Eu também sempre me preocupei muito em criar músicas diferentes, relevantes, memoráveis. Eu sempre gastei muita energia para ter uma “base sonora” realmente sólida para as canções. Quando comecei a tocar guitarra, em 1995, muitos dos meus colegas queriam tocar rápido e ser como Malmsteen. Eu não queria tocar rápido, queria fazer músicas marcantes e sempre fui muito influenciado por compositores/instrumentistas, como Mustaine e James Hetfield.
RS: Durante a gravação de Departure e Plexus, nós contamos com a ajuda de Martin Mendonça (atual guitarrista da Pitty) e André T, como produtores. Ambos nos davam liberdade de fazer experimentos, e contribuíram muito com suas ideias. Em Lifecycles, André T acompanhou o processo desde os primeiros ensaios das músicas novas, de forma a entender melhor o que queríamos e que pudesse contribuir com suas idéias já nessa fase.
Iassa – Marcelo sempre vinha com a música basicamente pronta, com o sentimento dele e tudo mais, mas quando eu e Ricardo ouvíamos e partíamos para tocar sempre tudo mudava. André T captou muito desta vibe quando acompanhou nossos ensaios e ele sempre foi muito preocupado com o que queríamos e como queríamos soar, nos ajudando muito no processo todo do disco.
THE ROCKER: E falo isso pois no debut temos os mais variados estilos, desde o Thrash até o Rock And Roll. Como instrumentistas houve algum desafio na hora de executas as canções?
MM: Acho que o maior desafio daquela época foi cantar. Foi a primeira vez que entrei no estúdio para gravar vozes e realmente foi algo muito difícil pra mim. Sinceramente, não achava que estava preparado naquela época. Mas também não conseguimos encontrar nenhuma outra pessoa que pudesse interpretar as músicas da maneira como queríamos. Então, eu tive de fazer isso não porque queria, mas porque eu era a melhor opção disponível. Acho que foi um excelente aprendizado e o resultado no disco seguinte, Lifecycles, foi bem melhor, na minha opinião.
Iassa – Executar não foi o problema e sim ter certeza que não tinha mais como melhorar nada. Quando gravamos o Plexus logo depois que saiu eu vi que poderia ter colocado outras vozes na bateria, outras idéias e isso me chateou um pouco. No Lifecycles meu maior desafio foi esse, esgotar, testar e trabalhar tudo que me veio na mente, tanto que acabei criando uma das músicas com Marcelo.
THE ROCKER: Plexus, o debut foi inclusive lançado no exterior pela Metal Axe Records. Como conseguiram este licenciamento e qual a repercussão do disco lá fora?
MM: Fizemos um grande investimento de distribuição para a imprensa em 2003/2004. Mandamos o disco para o mundo inteiro. Um dos jornalistas de uma revista alemã gostou muito do álbum e isso chamou a atenção do pessoal da gravadora, que assinou um contrato de distribuição com a gente. Falando assim, parece que foi simples e rápido, mas na verdade foi resultado de um imenso trabalho de divulgação. A recepção no exterior foi morna. Uma banda nova, de brasileiros, fazendo metal tradicional, algo que os alemães fazem tão bem, dificilmente chamaria tanta atenção. Também não fizemos nenhum show lá, o que não ajuda muito na divulgação.
THE ROCKER: E além do debut, vocês lançaram neste ano seu segundo trabalho, Lifecycles, apenas no I-Tunes. Por que vocês lançaram apenas neste formato e há alguma possibilidade deste trabalho ser lançado no formato físico algum dia?
MM: Na verdade, a nossa idéia sempre foi lançar o disco de forma digital. Só não fizemos isso em 2006 porque não tínhamos infra-estrutura para fazer isso. Poderíamos lançar uma versão física do disco, mas precisaríamos ter um feedback positivo para pessoas para poder justificar o investimento. Essa opção não está descartada. Do ponto de vista de negócios, um lançamento de disco físico tem um custo alto de produção, distribuição e estoque. Para uma banda do nosso porte, é muito difícil arcar com todos esses custos.
Recentemente, o iTunes ficou disponível no Brasil. Finalmente vamos poder lançar o nosso disco de maneira apropriada no nosso próprio país. Ele estará disponível em breve para o Brasil e toda a América Latina.
THE ROCKER: Uma notícia triste para os fãs da banda é que vocês deram um tempo nas atividades. Esse tempo é algo definitivo ou vocês possuem planos para uma volta ou até mesmo um novo trabalho?
MM: Agradeço a todas as pessoas pelo interesse no Plexus, isso é extremamente importante pra nós! A pausa não é definitiva, mas ainda não sabemos quando vamos voltar ou de que maneira faremos isso. Pode ser um novo disco do Plexus, uma nova banda ou até mesmo um disco solo. Qualquer que seja a opção, vamos fazer o melhor que a gente puder, como sempre fizemos em todos os nossos trabalhos. Neste momento, também tenho uma forte ligação com música, já que fundei a minha empresa de produção musical de trilhas para videogames, chamada Clefbits.
RS: Todos na Plexus continuam envolvidos com música. Além do Marcelo que está trabalhando diretamente nesse ramo, tanto eu como Iassa temos participado também de bandas covers e de músicas próprias. Hoje certamente estamos mais maduros do que antes, e a consequência disso é que se formos lançar um próximo álbum, acredito que será ainda melhor que o último.
Iassa : É bom saber que desse interesse, realmente. Eu não consigo parar de pensar em música e gravar algo a Plexus sempre fica na mente. Hoje estou tocando com a Templarius, trabalho autoral que esta me dando muito prazer. Tecnologia existe para que possamos fazer isto mesmo à distância...Quando tiver que ser vai ser com certeza, espero que logo.
THE ROCKER: E apesar do tempo nas atividades. Nestes mais de 10 anos de banda, você acha que faltou alguma coisa a ser feita, ou que pretendem retomar no futuro?
MM: A gente fez o melhor possível, dada nossa experiência. Acho que tivemos bons resultados, se considerarmos a realidade do Brasil. Eu não faria nada diferente, porque tenho certeza que a gente fez tudo que estava ao nosso alcance para produzir música de qualidade e com a nossa cara. Se formos retomar o trabalho no futuro, certamente faremos algo com uma base empresarial mais sólida. Na verdade, acho que é isso que falta para grande parte das bandas independentes: uma visão melhor do seu próprio negócio. Música, apesar de ser feita com o coração, também precisa ser rentável.
THE ROCKER: Vou citar algumas bandas do seu estado de Rock/Metal e queria a sua opinião sobre elas: Drearylands, Ungodly e Headhunter DC.
• Drearylands
MM: Como compositor, fui muito influenciado pelo Jason Bittencourt, ex-guitarrista da Drearylands. Sinceramente, eu acho ele genial e muitíssimo talentoso. Eu adoro as músicas do primeiro disco da banda e acho que a formação seguinte também fez um excelente trabalho. Todos são excelentes músicos e pessoas.
Iassa: Os caras são músicos muito competentes e pessoas maravilhosas.
• Ungodly
MM: Acho que não posso comentar muito, pois não estou familiarizado com o trabalho deles.
• Headhunter DC
MM: Eles são uma lenda do metal baiano e motivo de orgulho para todos os headbangers nordestinos. Iassa tocou com eles. Acho que as pessoas começaram a nos respeitar mais quando Iassa começou a tocar com a gente, na época da Steel Maiden.
Iassa: Eu fiz pare desta “lenda”. Os caras continuam batalhando muito, grande banda.
THE ROCKER: Para encerrar, em abril ocorrerá o Metal Open Air em São Luis, no Maranhão, e este festival será recheado de apresentações nacionais e internacionais. Na sua opinião, o que este Fest trará de importante ao Nordeste e o que acha deste tipo de iniciativa?
MM: Acho extremamente importante existirem cada vez mais festivais que divulguem o trabalho de boas bandas, principalmente as nacionais. É assim que elas se tornam conhecidas e podem continuar o seu trabalho por muitos anos. Parabéns à equipe do Metal Open Air pela organização do evento!
THE ROCKER: Muito obrigado pela entrevista! Deixe uma mensagem as pessoas que estiverem lendo a matéria!
MM: João, em primeiro lugar, agradeço o convite e interesse. Também agradeço a todas as pessoas que se interessam pelo Plexus e somos muito gratos por toda a resposta que recebemos até hoje. Para os fãs de heavy metal, em geral: sempre se lembrem que vocês são responsáveis pela sobrevivência da música pesada no Brasil. Se vocês gostam de uma banda, comprem os seus trabalhos. Somente dessa maneira qualquer banda pode sobreviver.
RS: Agradeço la entrevista e a todos que acompanham a Plexus até hoje. Lembrando que o nosso site (www.plexusband.com.br) é atualizado sempre que tiver alguma novidade, além de músicas que estão disponíveis para download. E o nosso contato está lá, caso alguém tenha interesse.
Iassa: Muito obrigado pela força e interesse na Plexus. Nós fazemos música não só pelo prazer de fazer, mas também pelo prazer de saber que alguém esta batendo e curtindo nosso som. Muito obrigado
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