

Entrevista - Father's Face
Peso, qualidade e atenção aos detalhes, esses são apenas alguns dos atributos que podemos direcionar a este grupo formado por: Lucas Guimarães (vocal), Alessandro Marques (guitarra), Luciano de Oliveira (baixo), Daniel Seimetz (bateria) e Cristóvão A. Viero (guitarra) do Rio Grande do Sul chamado Father’s Face. Apresentando um Heavy Metal com pitadas muito bem empregadas de Prog e Death Metal eles nos presenteiam com essa obra de arte chamada Soundtrack For A closing Light. Eu converso agora com o Daniel Seimetz e veremos como tudo se formou.
João Antonio: A Fathers Face é um grupo que ao se ouvir, logo se vê que não está pra brincadeira apresentado um som coeso e bem feito. Conte-nos um pouco sobre a trajetória de vocês.
Daniel: Olá João e a todos que acompanham o site Die Fight. A Father’s Face é uma banda que, na prática, possui história bastante recente. A formação da banda se completou em dezembro de 2008 com a minha inclusão no line-up, porém a concepção “teórica” daquilo que viria se tornar a banda data de 2001. À época, o guitarrista e vocalista Alessandro Marques frequentava o curso de música da UFRGS. Numa das aulas sobre história da música, na qual o professor discorria sobre o período Romântico, lhe foi narrado um trecho do conto “Frankenstein or the Modern Prometheus”, de Mary Shelley. Aquela narração surtiu tal efeito na mente do Ale (apelido do Alessandro) que ele imediatamente teve o insight de compor algo musical em torno da obra. Após colocar no papel tudo o que pretendia com o projeto, ele iniciou a busca por músicos da região que se encaixassem no perfil requerido pelo estilo de som que a banda executa. Tendo a formação se completado na data já citada, sucedeu-se a gravação das três músicas que estavam prontas na época, resultado que pode ser conferido na demo auto-intitulada, lançada em março de 2009. Passamos o restante daquele ano compondo o restante do material que agora faz parte de “Soundtrack...”, que foi lançado em setembro de 2010, em uma apresentação que marcou também nossa estréia nos palcos.
João Antonio: A proposta do grupo é desenvolvida em cima de todo um trabalho conceitual em volta da obra clássica da literatura mundial Frankenstein de Mary Shelley, de quem surgiu essa proposta e quais são os objetivos em abordar esse tema?
Daniel: A idéia, como mencionado na pergunta anterior, veio do Ale. Como disse se trata de uma obra conceitual a respeito do livro, e abordamos temas filosóficos, existenciais e sociológicos no disco, sendo que dois deles se destacam: a busca da civilização pelo poder de criação e controle da vida e a estigmatizarão daqueles que não se encaixam nos padrões físicos que a sociedade demanda. Nada mais atual, não?
João Antonio: Antes do lançamento do debut oficial Soundtrack For A closing Light vocês lançaram no mercado uma demo auto-intitulada “Father’s Face” que tinha todo um trabalho gráfico primoroso mostrando a atenção do grupo aos detalhes não se focando somente a musica mais ao todo do produto. Vocês consideram isso um diferencial de mercado?
Daniel: Nossa intenção com aquele trabalho era impressionar. Não só musicalmente, mas também com o visual daquele trabalho, ligando a arte gráfica à temática abordada nas letras. Eu não saberia dizer se este é realmente um diferencial de mercado, muito menos se seria viável lançar algo do tipo em grande número de cópias. Porém posso te dizer que, dado o trabalho que aquela demo nos deu, seria impossível produzir algo assim e disponibilizar a todos que estivessem interessados. Pra te dar uma idéia, foram produzidas cerca de 35 cópias daquela demo, e todas foram enviadas para sites, revistas, zines e contatos com selos ou gravadoras, o que indica que não comercializamos a demo e nem o faremos no futuro. Apenas uma delas está de posse da banda, muito bem guardada por sinal.
João Antonio: Como tem sido a aceitação do publico e mídia especializada para seu novo debut?
Daniel: Ótima. Todas, eu repito TODAS as respostas que obtivemos até agora foram de extrema valia, tanto nos shows quanto através de resenhas. Mesmo tendo obtido algumas ponderações aqui e acolá, no geral todos que tem contato com o álbum elogiam o trabalho de alguma forma. É nosso 1º full lenght, então estamos satisfeitos.
João Antonio: E em relação à cena local de vocês como tem sido a aceitação? Existe uma cena forte ai?
Daniel: Vou interpretar “cena local” como sendo a cena Gaúcha em geral, pois cada um dos membros é de uma cidade diferente (Porto Alegre, Igrejinha, Sapiranga, Taquara e Três Coroas). Assim sendo, realmente temos uma cena legal aqui, com casas diversificadas, muitos produtores honestos, público que ama o estilo e uma quantidade enorme de bandas de nível profissional. A única coisa a se lamentar é a latente e (ao que parece) irremediável desunião entre certos segmentos do Metal, o que impossibilita a organização de eventos em que a comunidade Underground possa celebrar o estilo e sua saudável heterogeneidade.
João Antonio: Toda mixagem do debut foi feita pelo engenheiro de som Alessandro Marques que é também guitarrista da banda. Como é pra vocês isso? E vocês acreditam que assim toda a proposta que foi concebida para criação do álbum conseguiu ser captada?
Daniel: Com toda certeza. Além de ter mixado, o Ale também produziu e masterizou o disco. Ele sabia exatamente o que queria de cada um de nós e como queria que o disco soasse. É óbvio que cada músico teve liberdade para se expressar, sendo que a mixagem final foi feita com todos juntos dando opiniões sobre como gostariam que cada parte soasse. Durante todo o processo de produção do disco, o diálogo se manteve aberto sem hierarquias e o resultado não poderia ter sido melhor, ainda mais se tratando de um processo 100% independente. Penso que nossa cria ficou à face de seus pais.
João Antonio: Quais são os planos do grupo para esse ano de 2011?
Daniel: Tocar ao vivo, onde for possível, levando nosso álbum debaixo do braço, conhecendo pessoas e lugares novos. Também pretendemos iniciar a composição do próximo disco, tanto que já há uma temática praticamente definida. Por fim, quem sabe firmar algum acordo com um selo de distribuição e aumentar o alcance de nossa música.
João Antonio: Eu gostaria de agradecer a oportunidade da entrevista e deixo aqui o espaço aberto para suas considerações finais.
Daniel: Nós que agradecemos, João. Obrigado pela entrevista, pela resenha e pelo incondicional apoio ao Underground. Somos uma família bastante diversa e, por tal motivo, muito sadia. O Heavy Metal é forte por muitos motivos, e um deles é o apoio que bandas como a Father’s Face recebem da mídia que tão passionalmente defende a bandeira da música extrema. Metal é posicionamento. Fitem altivos o caminho que se segue e berrem, como Steve Zetro Souza em “Forward March”, do Exodus: “Never move in reverse!”
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