
Entrevista - Hatefulmurder

O Hatefulmurder é uma banda que simplesmente tem os pés no chão, e sabe muito bem fazer seu som com grande competência e agressividade, resultado que podemos encontrar nesse primeiro trabalho da banda que está colecionando ótimas críticas da mídia em geral. Batemos um papo com seu líder Felipe Limeira o qual se mostrou muito focado e otimista em relação ao futuro da banda, além de soltar maiores detalhes sobre sua trajetória desde 2008.
1- Apresente-nos a banda e há quanto tempo o Hatefulmurder está com essa formação?
Felipe Lameira: Nossa formação é bem sólida a não ser pelo posto de baterista. O Hatefulmurder foi formado em 2008 quando eu, ainda produtor, Renan Ribeiro (Guitarra), Ernani Henrique (Baixo) e, outro amigo nosso, Diego Azevedo (Bateria) decidimos sair de uma outra banda para criar nosso próprio projeto. Queríamos fazer algo agressivo e trabalhado ao mesmo tempo, com as características que mais gostavamos tanto no Thrash como no Death Metal. Não víamos nenhuma banda no Rio de Janeiro fazendo este tipo de som e isso nos entusiasmou na época. Começamos a trabalhar em novas composições, ao mesmo tempo que procurávamos por um vocalista que estivesse dentro da nossa proposta, porém sem sucesso. Por fim eu mesmo acabei assumindo este posto, o que se revelou uma ótima escolha para a banda. Em 2009 começamos a tocar em vários lugares e lançamos o single “Extreme Level of Hate” que nos ajudou a divulgar a banda, com uma ótima resposta da critica e da cena. Neste mesmo ano Diego deixou a banda por motivos pessoais, o que nos fez chamar nosso amigo Jean Secca (Ainur/Unissonus) para uma substituição provisória. Chegamos ao ano de 2010 com um novo baterista, Vitor Arante (Fresh Meat/By The Throat) e lançamos a Demo “When the Slaughtering Begins”. Mas ele também viria abandonar a banda logo após do lançamento da demo. Novamente chamamos Jean Secca para cumprir as datas já agendadas até o fim do ano. Atualmente estamos fazendo testes para um novo baterista, que deve ser logo anunciado.
2- Quais as principais influências da banda?
Felipe Lameira: As influências da banda são as mais variadas. Todos nós trazemos nossas influências que acabam por moldar um pouco do resultado final de cada composição. Escutamos de tudo um pouco, desde som mais antigo aos trabalhos mais modernos das bandas mais atuais, além de coisas não relativas diretamente ao Rock ou Heavy Metal. Eu poderia citar uma banda ou outra aqui, mas isso não seria muito certo. Gosto que as pessoas tentem “descobrir” estas influências no nosso som, se é que existe algo para ser descoberto.
3- Como está sendo a divulgação de “When the Slaughtering Begins" na mídia e ao público em geral?
Felipe Lameira: A divulgação tem sido muito boa. Estamos utilizando principalmente os sites especializados e as redes sociais como veículos de divulgação do nosso trabalho. O retorno é sempre muito positivo, principalmente quando descobrimos colaboradores anônimos espalhados pelo mundo, que acabam por divulgar o nosso som em lugares que achávamos que não poderíamos alcançar neste momento. Já descobrimos links com divulgação nossa vindo de paises como Rússia, Japão e Índia. No Brasil mesmo não tem sido diferente, recebemos apoio de todas as partes com muito entusiasmo.
4- Alguma faixa ficou de fora do “EP”?
Felipe Lameira: Não. As quatro faixas escolhidas foram as mesmas desde o inicio do projeto. Outras composições surgiram durante as gravações, mas não possuíam a mesma forma e vibração das outras faixas. Não seria justo mexer no que já havia sido planejado com tanta calma por todos no inicio das gravações.
5- Nesse trabalho da banda podemos encontrar uma excelente gravação. Quanto tempo o “EP” demorou para ser gravado e lançado?
Felipe Lameira: A gravação foi iniciada no final de 2008 e teve varias interrupções por causa de vários problemas. Mas estes problemas vieram na hora certa, na minha opinião, para que pudéssemos aprender com eles. Ela foi finalmente finalizada no inicio de 2010 e foi lançada em junho deste mesmo ano. A produção ficou a cargo da própria banda e dos produtores Rômulo e Murilo Pirozzi, ambos músicos da banda Dark Tower, do Piroz Home Studio, que fizeram um excelente trabalho para nós.
6- When the Slaughtering Begins foi lançado primeiramente só na internet para download. Vocês chegaram a mandar esse trabalho a alguma gravadora ou selo antes de lançá-lo?
Felipe Lameira: Não. Fizemos a demo e resolvemos divulgar diretamente para o público e produtores diretamente, junto com nossos shows. A procura por uma gravadora, por uma banda que está ainda no inicio de sua carreira, na nossa opinião, deve ser feita quando se já tem um grande trabalho pronto para se lançar. Estaremos concentrados nisso agora em 2011, ano em que a banda completa 3 anos, quando estaremos compondo o nosso álbum debut.
7- A sonoridade da banda caminha pelo Thrash e Death metal com grandes composições e excelentes solos de Renan Ribeiro, quem é o principal compositor da banda?
Felipe Lameira: Não acho que exista um compositor principal, mas eu diria que tudo que é feito nas guitarras passa literalmente pelas mãos do Renan. Mesmo quando eu faço um riff ele coloca um pouco da sua pegada ou mesmo modifica uma coisa ou outra. Mas muito da estrutura de uma composição é planejada por mim primeiramente e depois discutida por nós dois, até estar tudo do jeito que desejamos. Se não estiver, não está pronto. Depois disso os outros membros vem com alguns elementos que geralmente enriquecem o som final. Nós nos preocupamos muito com o que a música deve passar em questão de vibração e força, som e sentido.
8- A banda vem fazendo shows com freqüência, quais os problemas que as casas de shows e seus organizadores enfrentam hoje em dia na visão da banda?
Felipe Lameira: Todo tipo de problema no meu ponto de vista. Falta de investimento, apoio do público local, infra-estrutura, profissionalismo e etc. São muitos os fatores causadores desses problemas. Mas para mim um dos piores é a mentalidade que muitos possuem, não só produtores, de que por ser algo “underground” pode ou deve ser ruim e de má qualidade. Eu sou da seguinte premissa: “Se vai fazer, faça bem feito!”. Sei de todos os desafios e dificuldades que um produtor enfrenta, afinal eu também sou um, e por isso eu falo que devesse buscar sempre um caminho, uma solução para que as coisas sejam feitas do melhor jeito possível, respeitando sempre o público e as bandas.
9- Já aconteceu algo estranho nos shows da banda que marcasse a trajetória desde seu começo?
Felipe Lameira: Muita coisa estranha já aconteceu, afinal estamos falando do underground né? Nosso primeiro show foi em um festival para mais de 600 pessoas, o que é muito para uma banda iniciante, mas mandamos muito bem. Já teve todo tipo de coisa estranha, desde gente tentando invadir o palco para “apertar” a mão do baixista (sendo que estava tocando), até tocar em um palco onde a única iluminação era uma lâmpada caseira de 60 watts atrás do baterista. É muita loucura.
10- No Brasil é difícil ser músico e ainda mais sendo de Metal. Quais as profissões reais de cada integrante?
Felipe Lameira: Realmente não dá para viver de música quando se tem uma banda de metal underground no Brasil. Pra mim o segredo é tentar conciliar trabalho/renda com a música que você está fazendo. No momento sou bolsista da rede federal de ensino superior no curso de Produção Cultural, trabalho também esporadicamente com desenvolvimento de Design Digital. Renan trabalha e dá aulas de guitarra. Ernani largou a faculdade de História na UFF e está atualmente se engajando na área de música e produção musical.
11- A maioria das bandas independentes do Brasil estão vendendo seus CD´s a preços totalmente baixíssimos em seus shows, da pra tirar algum em cima dessas vendas?
Felipe Lameira: Muito pouco na verdade. Não por que vendemos pouco, mas por que a lucratividade é baixíssima se tratando da venda desses cds. Tudo o que conseguimos tirar é revertido para a banda de alguma forma, seja para pagar parte dos custos operacionais como para investimentos futuros. Mas nada realmente considerável.
12- Como o Hatefulmurder vê no momento a cena Metal no Brasil?
Felipe Lameira: Nós vemos uma cena em grande expansão, com muitos problemas há serem resolvidos, mas com muitas bandas competentes. Surgiram muitas bandas novas e fodas, mas ainda enfrentamos a falta de espaço para show de menor porte e a discriminação do gênero por parte de algumas pessoas. O cenário brasileiro é muito respeitado lá fora e sentimos isso quando falamos que somos do Brasil. É muito fácil sentir orgulho de ser brasileiro nessas horas, mas ainda muito há ser feito.
13- No Brasil a toda hora aparece uma banda e tenta mostrar seu trabalho, vocês acham que os fanzines, sites, rádios e revistas conseguem dar o suporte que elas merecem ou algumas bandas ainda estão batalhando para colocar o seu material nesse meio?
Felipe Lameira: Não saberia responder exatamente. Eu vejo uma mídia especializada no gênero muito receptiva, mas no geral pouco profissional. Percebo que muito desse trabalho é feito por fãs do gênero, que em muitas das vezes se envolvem mais por uma questão de gosto pelo que se esta divulgando do que propriamente em um trabalho profissional em si. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo. Há muitas limitações pela falta de investimentos no gênero, e isso se reflete também na forma de sua divulgação. Mas por enquanto é o principal meio que encontramos para nós no que estamos no underground.
14- A banda já está merecendo seu Debut pela garra e competência apresentadas por esse trabalho. Podemos esperar o tão aguardo CD oficial para 2011?
Felipe Lameira: No momento temos outros planos. Vamos lançar agora neste primeiro semestre um websingle especial, totalmente disponível para download gratuito, assim como foi a demo. Ele virá com musicas muito boas que revelam mais o que pretendemos com a banda para o futuro. Já o debut começará a ser produzindo a partir do segundo semestre deste ano e provavelmente lançado em 2012. Espero que o mundo não acabe até lá!
15- Deixo a vocês considerações finais e comentários que queiram fazer, e agradeço desde já a entrevista.
Felipe Lameira: Gostaria de agradecer o espaço cedido pelo site para que pudéssemos falar um pouco sobre o nosso trabalho, e também a todos que apóiam o Hatefulmurder. Não deixem de apoiar as bandas underground, são delas que saem as grandes bandas que alimentam este grande gênero que é o Metal. Agora em 2011 estamos vindo com um novo trabalho, para mostrar do que somos capazes de fazer. Aguardem por novidades amigos, até lá!
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