

Entrevista - Nosferatu

Nesta entrevista vamos conversar com a banda Nosferatu, a qual prática um Heavy metal na linha anos 80, formada na cidade de Campinas/SP, a qual vem se destacando na cena Nacional devido a seu primeiro debut intitulado “Returning to the Slaughter” e quem nos conta maiores detalhes sobre sua trajetória é seu líder guitarrista/vocal Hussein Salim.
1.O nosferatu teve seu início em 1999, na cidade de Campinas, e passou por várias formações até se estabiliazar com a atual, porém acaba de sofrer uma grande baixa com a saída do baterista e do baixista? Nos fale como isso aconteceu. E porquê?
Hussein: Saudações Márcio e leitores do Die Fight.
Bem, é muito difícil fazer parte de uma banda underground nesse país, você tem que abdicar de muitas coisas na vida pra poder se manter firme com a banda, é um investimento muito grande e se você não fizer por amor vai acabar ficando no meio do caminho.
No começo quando os ex-integrantes entraram, eles pegaram uma banda pronta, mas eles não sabiam a luta que nós tivemos pra conseguir conquistar as coisas que conquistamos, não é muita coisa, mas foi tudo na base do sangue, suor e lágrimas literalmente falando.
Quando eles entraram era tudo novidade e com isso achavam que era as mil maravilhas, aí depois começaram a sentir o drama mesmo como, por exemplo: problema pra arrumar emprego tendo cabelo cumprido, deixar de comprar certas coisas e sair de final de semana com suas namoradas pra poder ensaiar, tocar etc... As namoradas enchendo o saco criando encrenca e se intrometendo em assuntos que não lhes diziam respeito fazendo com que eles escolhessem entre a banda ou elas, etc...
Aí por serem novos e não terem personalidade forte acabaram ficando no meio do caminho, é lamentável, pois eram excelentes músicos, mas o metal sem ideologia não é nada, eles não tinham princípios então o desfecho você já conhece hehe
Uma coisa eu digo, eles estão levando e ainda vão levar muito tapa na cara da vida com essas atitudes.
Mas estamos aí na batalha e essas coisas por mais que nos deixem putos da vida, servem para nos deixar mais fortes e eu ultimamente estou vendo isso com uma coisa boa, quem sabe não entra um pessoal melhor e mais firmeza (ou não) hehehe
2.O primeiro cd da banda é lançado pelo selo carioca dark Sun, como vc´s fizeram contato para que esse lançamento fosse concretizado?
Hussein: Isso foi na época da nossa primeira demo-tape chamada “Savoring the Blood” de 2003, uma moça chamada Vera entrou em contato através de uma carta e comprou a nossa demo, aí eu não sei ao certo se ela fez uma cópia ou a enviou para o Ader, dono da Dark Sun.
Aí quando lançamos a demo “Returning to the Slaughter” ele entrou em contato perguntando se nós não estávamos interessados em lançar esse material em LP, mas de lá pra cá tivemos muitos problemas com a fábrica de Lp´s aqui no Brasil e acabamos lançando em 2009 a versão em cd do mesmo material com 3 músicas bônus, agora estamos esperando o Lp sair.
3.O Nosferatu é uma banda que se encaixa no perfil das bandas dos anos 80 como as próprias influências que a mesma nos mostra. Como vocês vêem essas bandas atualmente?
Hussein: Olha tem muitas bandas que voltaram à ativa e estão lançando materiais muito bons, fazendo shows excelentes, outras estão uma porcaria, tem umas que aproveitaram essa “onda” de metal anos 80 só pra tentar tirar uma grana em cima, é complicado vamos ver no que vai dar isso hehe
4.A arte da capa mostra um vampiro em meio a um cemitério com um homem segurando uma mulher. Qual siginificado ela nos traz? Quem a desenhou?
Hussein: É que o primeiro ataque do vampiro foi na demo-tape savoring the blood hehe aí a gente só teve dor de cabeça pra conseguir lançar o cd, aí nessa arte é o retorno do vampiro hehe
Ele voltou mais forte para a matança, no caso da idéia da capa ele já havia sugado o sangue da mulher e a matou em seguida, aí ele se escondeu na névoa, pois o povo do vilarejo saiu para caçá-lo antes dele matar a moça, dá pra ver a imagem deles lá na entrada do cemitério só que eles chegaram tarde demais e seu noivo a encontrou morta.
Essa capa tem um duplo sentido, o vampiro simboliza a banda e o povo que o persegue são todos os nossos inimigos que tentaram nos derrubar todos esses anos, falsos, posers, pessoas pessimistas torcendo para que tudo dê errado etc... mas o vampiro sempre volta mais forte para se vingar e o destino dos nossos inimigos você viu na capa hehehe
Ele beberá o sangue de todos os infiéis!
5.Vc´s gravaram 2 covers no Cd, sendo um deles da banda Thor e outro da Tysondog as quais só engrandeceram o álbum, alguma faixa ficou de fora, ou a intenção era mesmo de gravar 2 covers como bônus?
Hussein: Nós já tocávamos esses dois covers antes de lançar o cd, aí quando fomos convidados pra lançá-lo nós resolvemos gravar os covers pra sair de bônus junto com a Metal Genocide pra diferenciar da versão em LP que virá sem os covers.
Nós queríamos mostrar como a banda estava soando com a formação (na época) atual hehe o foda que nunca a banda se estabiliza hehehe Mas como eu disse, nós queríamos fazer isso antes de começar a gravar o novo material pra ter uma noção, mas não queríamos gravar nenhuma música nova, pois as novas virão no debut aí como essas duas bandas são muito fudidas e respeitamos muito, por já tocar esses sons pedimos autorização e conseguimos, aí gravamos.
6.A faixas Metal Genocide foi gravada por voce os 2 covers foram gravados por vc nos vocais, você acha que o som do Nosferatu mudou em relação a época em que Andherson Némer estava nos vocais?
Hussein: Na verdade a Metal Genocide foi gravada por um vocalista que tivemos depois do Andherson chamado Rogério Mercy.
Ele ficou alguns anos com a gente, mas as coisas não estavam mais dando certo aí depois de conversarmos com ele várias vezes e não vermos resultados, fomos obrigados a tirá-lo da banda.
Foi uma pena, pois o vocal dele era muito bom e ele é uma pessoa muito gente boa, mas não estava se dedicando como devia na banda e as vezes até errando ao vivo, ele relaxou no final aí não dava mais.
Eu só gravei os vocais dos dois covers nesse cd.
O som acredito que não tenha mudado após a saída do Andherson, porque a proposta sempre foi essa, por isso que ele saiu da banda hehe ele não entendia a proposta da banda.
Ele sempre curtiu uns lances mais modernos e as idéias não batiam muito, ele ficava meio perdido, tanto é que hoje em dia acho que não está mais nem cantando em banda de metal, ele está com uns outros projetos de música celta pelo que eu ouvi falar.
Claro que uma coisa ou outra acaba mudando, pois mudamos de formação muitas vezes e cada integrante acaba trazendo alguma característica nova, de lá pra cá também amadurecemos muito como músicos e como seres humanos também (ou não) hehehe
Hoje voltamos a ser um quarteto como éramos no início, com isso eu fico um pouco mais limitado, pois tenho que tocar e cantar, mas em compensação nossos shows ficaram mais agressivos, a galera anda agitando mais.
7.Vc´s chegaram a mandar o material gravado a outros selos? Não passou pela cabeça de vc´s em lançá-lo de forma independente?
Hussein: No começo a nossa intenção era lançar esse material como um EP oficial mesmo, só que a gente não tinha grana e acabou saindo como um cd-r demo.
Um dia eu fui com um amigo meu na galeria do rock na capital em São Paulo, aí eu levei algumas cópias da demo numa mochila e deixei em várias lojas das gravadoras lá, mas pelo jeito ninguém se interessou, não me ligaram até hoje hehehe
Nós procuramos nos informar sobre lançar o cd de forma independente, mas o custo era muito alto e não tínhamos condições.
8.A pirataria em geral, está cada vez maior e os cd´s estão cada vez mais baratos, você acha que essa foi uma a saída que as grandes gravadoras tiveram para driblar esse tipo de situação?
Hussein: Olha, sinceramente eu não sei, porque mesmo estando mais baratos o pessoal ainda baixa os cds, hoje com esse lance da Internet e da facilidade que ela proporciona é mais fácil pra pessoa apertar uma tecla e já ter toda a discografia de uma banda em questão de minutos do que ficar gastando dinheiro, correndo atrás de material raro etc...
A época é outra, as prioridades são outras, hoje eu vejo pessoas que nem aparelho de som tem, baixam tudo e ficam escutando no pc, é complicado isso.
O poder aquisitivo do nosso país também dificulta tudo.
Já se foi aquele “culto” pra maioria das pessoas de sentar, escutar música, de ficar apreciando a capa e lendo o encarte.
A vida ta muito corrida, hoje não se tem tempo nem pra cagar direito hehe
Eu não sei quando será a solução, falam “ah tem que voltar o vinil aí vai acabar com a pirataria” hehe já era, infelizmente, tipo eu faço puta correria atrás de Lp´s, mas isso me toma um certo tempo pra arrumar o material e uma certa grana que tenho que juntar. Eu faço isso porque curto, é lance de apreciar o material mesmo.
Você acha que hoje com essa facilidade as pessoas vão se dar o trabalho de comprar toca discos que exigem todo um cuidado, espaço pra guardar os discos etc?
Vão nada, tipo pra que isso aconteça teriam que parar de fabricar os cd-r’s, mas esses cd´s não são utilizados apenas pra música então já faria falta pra arquivos, teriam que parar de fabricar gravadores de cd para pc’s e teria que ter uma procura muito grande por parte da população para que produzissem em massa novamente os LPs, porque senão não compensaria.
Agora me diz, você acha que dá pra contar com o povão fazendo isso, abrindo mão por exemplo de colocar cd-r nos carros?
Na época das fitas K7 gravadas em casa já rolava uma pirataria desgraçada hehe
Tinha empresa que até colocava anúncios do tipo “Home Tape is Killing Music” – (Fita caseira está matando a música), mas isso não funcionava.
Você acha que um funkeiro vai comprar LP? hehehehe
As próprias empresas acabaram cedendo e colocando uma opção nos aparelhos de som que são as entradas de pen drive e mp3 player.
Sei lá acho que hoje em dia vai ser complicado.
9.A maioria das bandas independentes do Brasil estão vendendo seus CD´s a preços totalmente baixíssimos em seus shows, da pra tirar algum em cima dessas vendas?
Hussein: É verdade a situação está complicada forçando as bandas a venderem os seus materiais por preços muito baixos e mesmo assim o pessoal raramente compra os materiais, preferem baixar como eu falei ou senão tem gente que fica pedindo pra gente dar os cds de graça nos shows muitas vezes.
É foda isso, a gente não quer dar uma de cusão e tal, mas a gente tem um custo muito alto com tudo isso e o dinheiro que entra muitas vezes não dá nem pra recuperar esses gastos, então, definitivamente nós não conseguimos tirar uma grana pra gente com essas vendas.
10.Bandas com poder aquisitivo muito grande sempre fazem grandes produções e chegavam a gastar muito com elas, você acha que isso dificulta uma banda de se igualar a outras gastando pouco com uma produção?
Hussein: Com certeza. É igual aquela música, olha a buceta, bucetinha, bucetão, quem tem dinheiro leva, quem não tem fica na mão hehehe Fiz uma comparação bizarra, mas é bem por aí. Ta cheio de banda fudida e a produção é bem precária e eu to cansado de ver banda ruim, sem feeling, sem qualidade gravar um puta de um material bem produzido, saindo em tudo que é meio de divulgação e neguinho ficar babando ovo em revista só porque tem jabá envolvido, mas infelizmente o mundo funciona dessa forma e na cena não muda.
As bandas com um poder aquisitivo menor sempre saem prejudicadas, pois o resultado final é o que conta. Vira e mexe a gente vê cara de revista conceituada esculachando uma banda só pela produção, muitas vezes nem se preocupam com a música que era o principal quesito a ser avaliado.
Aí quem não conhece a banda lê a resenha e acaba nem indo atrás pra conhecer com medo de gastar dinheiro com algo de que vá se arrepender.
Outro lance foda também é que pra divulgar nas grandes revistas é muito caro e numa dessa quem tem mais dinheiro faz um puta de um anúncio gigante e desperta interesse em um público maior, aí por mais que uma banda que não divulgue nesses meios tenha uma postura de divulgar em meios de comunicações mais undergrounds acaba saindo prejudicado no final, pois é difícil se igualar. É tipo político grande fazendo aqueles puta showmícios gigantes com artistas famosos globais e aqueles mais pobres fazendo comício em buteco com tecladista de forró fazendo showzinho como já vi hehehe Nossa hoje as minhas comparações estão uma merda hein hehe
11.No Brasil há grandes bandas, cite uma delas que você´s acham que tem tudo pra alavancar no cenário metalico nacional e que ainda está no anonimato?
Hussein: Nossa cara agora você me pegou hehe tipo tem muita banda que poderia estar numa situação bem melhor, se eu citar uma vou estar sendo injusto com várias, vou citar algumas de cidades próximas da nossa, tem o Prepared to Kill, Speed Metal Hell (que acabou recentemente por dificuldades da distância para ensaios), Neckbreaker etc...
São bandas que poderiam estar com um debut nas mãos e poderiam alavancar no cenário nacional, mas infelizmente como a maioria das bandas undergrounds, eles estão lutando por um pouco de espaço e reconhecimento.
Mas é como eu falei estou sendo um pouco injusto com muitas bandas, pois tem várias que são boas e estão na mesma situação.
12.Como está sendo os shows da banda, como o público está recebendo returning to the slaughter na íntegra?
Hussein: Atualmente com essa baixa na formação nós ficamos desde fevereiro sem tocar, voltamos a tocar agora em outubro com uns amigos quebrando um galho na batera e no baixo, mas mesmo antes de pararmos a galera estava recebendo bem as músicas, nós já tocamos elas faz tempo visto que o material já é um pouco antigo, nós também estamos tocando muitas músicas no novo material que está por vir (Satan’s Child).
13.Como está sendo o trabalho da dark Sun no Brasil, e o Nosferatu tem intenção de lançar esse álbum para outros países?
Hussein: Dentro dos padrões undergrounds está dentro da média, mas eu acredito que poderia ser um pouco melhor.
A divulgação está rolando melhor fora do país.
Nós temos intenção de lançá-lo em outros países sim, só precisamos receber alguma proposta interessante, enquanto isso a Dark Sun vai mandando pra distribuidores no mundo todo.
14.Para mim as melhores do álbum são Execution e a faixa Full Moon Night, as novas composições da banda vão seguir o padrão dessas? Como está sendo o processo de composição da banda para o segundo disco?
Hussein: Legal cara, eu fico feliz que você tenha gostado mais delas, inclusive elas foram as nossas primeiras composições.
Primeiro veio a Full Moon Night e depois a Execution.
As músicas para o próximo material já foram todas compostas e inclusive estamos finalizando as gravações, acredito que esse material virá na mesma linha, porém hoje em dia nós estamos tocando bem melhor os nossos instrumentos, muito tempo se passou desde quando gravamos o Returning to the Slaughter e já mudamos muitas vezes de integrantes, então isso acaba influenciando no final das contas.
Eu posso lhe dizer que será um álbum bem variado tanto musicalmente quanto liricamente, mas claro, dentro da nossa proposta que é o Heavy Metal tradicional com influência total dos anos 80.
Bom, mas eu sou suspeito pra falar hehe É melhor que as pessoas ouçam e tirem suas próprias conclusões.
15.Quem faz as composições da banda e os arranjos finais?
Hussein: Geralmente eu apareço com a estrutura básica das composições e aí eu vou passando para os outros integrantes e cada um vai colocando a sua cara na música.
Algumas vezes eu já cheguei com as músicas completas e só faltava o outro guitarrista criar o seu próprio solo e o batera criar alguns detalhes nas viradas.
16.Você´s acham que os organizadores de shows do Brasil ainda não estão preparados para tratar uma banda de metal com o devido merecimento sem pagar ao menos o transporte das mesmas, ou o público também tem culpa, pois não comparece aos shows?
Hussein: Eu acho que é um ciclo.
A presença do público em eventos underground anda cada vez menor.
Um organizador quando vai organizar algum evento tem muitos gastos como aparelhagem, aluguel do local, divulgação etc... além de pagar as bandas (o que quase nunca acontece).
Quando o público não comparece em peso o organizador toma um prejuízo com os gastos e acaba descontando nas bandas.
Com isso muitos organizadores já pegaram a “tática” de falar que não vai dar ajuda de custo porque não sabe se vai dar público e mal vai dar pra pagar os gastos do evento.
As bandas acabam se submetendo a isso porque sabem que se não fizerem isso vão ficar sem tocar e outra banda tocará no lugar, pois se submeterá a isso.
De tanto usarem essa “tática”, muitas vezes entra uma grana legal, mas por já falarem que não ia rolar, eles acabam pegando a grana pra eles e as bandas foram lá, fizeram o show, trouxeram público pra ele ganhar grana em cima e só se fuderam no final das contas.
Muitas vezes nem água a banda recebe como aconteceu uma vez com a gente.
O público na maioria das vezes não sabe como acontece as coisas nos “bastidores” hehe
Então se a galera se conscientizar e começar a prestigiar mais os eventos de bandas de som próprio as coisas podem melhorar um dia, mas eu acho isso meio difícil.
17.Quanto tempo Returning to the slaughter demorou pra ser gravado e mixado?
Hussein: Olha agora você me pegou hehe não lembro exatamente, foi uma média de uns 4 meses pra gravar e mixar porque o estúdio nunca tinha hora sobrando e a gente ia uma vez por semana a noite quando sobrava horário.
18.Deixo a você considerações finais e comentários que queira fazer, e agradeço desde já a entrevista.
Hussein: Obrigado Márcio pelo espaço cedido e aos leitores pelo tempo dedicado a esta leitura.
Quem tiver interesse em conhecer melhor a banda é só entrar em contato conosco.
Abraço!
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